
De 4 a 7 de novembro, representantes de governos e do terceiro setor da Argentina, do Chile, da Colômbia, do México e Peru participaram de uma imersão em Vitória (ES), promovida por Instituto Natura, Fundação Pérez-Companc e Centro Lemann, como parte do Compromisso pela Alfabetização na América Latina, iniciativa de organizações da sociedade civil, atores governamentais e aliados estratégicos para trocar experiências que fortaleçam a alfabetização na região.
No primeiro dia, o secretário de educação do estado, Vítor de Ângelo, apresentou o Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo (PAES), programa criado em 2017 que se tornou referência nacional pela visão integrada de rede de educação, unindo esforços estaduais e municipais em torno do sucesso de cada estudante. “Filosoficamente, não há separação entre rede estadual e redes municipais. Todos os estudantes são vistos como sujeitos de direito, pertencentes ao estado do Espírito Santo”, defende Ângelo.
Os resultados impressionam: 72% das crianças capixabas estão alfabetizadas na idade certa, segundo o Indicador Criança Alfabetizada (MEC, 2024). Visitas às escolas de Vitória mostraram às lideranças uma dimensão potente desses resultados e os desafios do trabalho em rede. Também puderam dialogar com a equipe técnica da secretaria e com as secretárias de educação de Vitória e Serra.
As(os) participantes ouviram Veveu Arruda, ex-prefeito de Sobral (CE) e diretor-executivo da Associação Bem Comum, sobre o papel do terceiro setor na garantia da alfabetização, etapa fundamental da aprendizagem para fortalecer o desenvolvimento humano e social. Veveu acredita que o compromisso político é o primeiro e mais decisivo fator para transformar a educação. Ele também ressaltou que “alfabetizar não é só ensinar a ler e escrever. É ensinar também a sentir.”
Alexsandro Santos, diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do Ministério da Educação (MEC), apresentou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), lei federal que vem consolidando uma base de cooperação entre estados e municípios.
A imersão integra uma estratégia mais ampla que visa à transformação das realidades na região por meio de ações coordenadas, produção de conhecimento, apoio técnico especializado e troca de experiências bem-sucedidas.
Rita Jobim, gestora de Formação e Desenvolvimento do Centro Lemann, destaca que a imersão traz para o centro do debate o principal, que é a vontade e priorização política. “A alfabetização é fundamental para toda a sociedade: um menino que lê na idade certa sonha mais alto; uma menina que aprende a escrever pode contar a própria história. Ler e escrever na idade certa muda tudo — e por isso hoje nos unimos pela alfabetização”.
Depois dessas vivências, as lideranças retornaram aos seus países munidas de boas ideias e caminhos que façam da alfabetização uma causa continental, capaz de promover o sucesso escolar de cada criança latino-americana. A julgar pela avaliação ao final do evento, elas saíram do Espírito Santo extremamente engajadas: registramos nota 100 de satisfação.